Cogestão na empresa júnior

Cogestão na empresa júnior: chega de passar pelo mesmo problema

Com tantos jovens sendo impactados pelo Movimento Empresa Júnior em todo o país, sabemos que a rotatividade nas empresas juniores é comum. E quando chega o momento de se desligar da EJ, os membros têm a missão de passar para os novos integrantes do time todo o conhecimento adquirido para o trabalho continuar cada vez melhor. E é aí que entra a importância da cogestão na empresa júnior ser eficiente e rápida.

E por que em muitas empresas seniores, assim como no MEJ, o processo de cogestão ainda está longe de ser o ideal? São inúmeros os pedidos de benchmarking em toda a rede sobre o assunto e, novamente, falta informação para ser passada adiante.

Emoção e responsabilidade em cheque

A psicóloga e especialista em gestão de pessoas, Flavia Gouvêa, lembra que infelizmente é natural que muitos não consigam separar o trabalho das emoções pessoais. Por isso, algumas pessoas se sentem “substituídas” na hora de passar o cargo e isso também influencia na cogestão na empresa júnior.

“Todo desligamento implica em uma perda, fica sempre a sensação de fim, onde quem passa a função tem o sentimento de estar entregando de ‘mão beijada’ tudo que já possa ter feito até agora. A dificuldade vem, na maioria das vezes, por se tratar de um encerramento, de uma perda”, completa Flavia.

Aliado a um emocional instável, existem inúmeros casos em que a falta de comprometimento do membro mais antigo faz com que ele se preocupe mais com seus novos projetos do que com o cargo anterior.

O Diretor de Projetos da UCJ, Rodrigo Sabila, acredita que o desestímulo dos membros seja um fator prejudicial, visto que para uma cogestão na empresa júnior ser efetiva, as pessoas devem estar dispostas a compartilhar conhecimento para trabalhar junto e gerar resultado. “Além disso, a falta de uma boa gestão do conhecimento aliada à falta de processos estruturados de cogestão/transição torna a EJ dependente da boa vontade de pessoas, gerando um processo que não é perene”, acrescenta Saliba.

Cogestão na empresa júnior 3Empresa júnior e membro saem perdendo

Se os novos membros não têm uma cogestão eficiente, todo o funcionamento da EJ fica afetado em níveis inimagináveis. Com o membro desligado, vai embora a cultura de relacionamento com a rede, a visão estratégica dos processos, o conhecimento das buyers personas, o bom atendimento ao cliente, a consolidação das parcerias…. Enfim, todas as boas práticas que tantas outras gestões conquistaram depois de muita luta e superação dos desafios. Até porque, o registro dessas informações também é um grande problema em muitas empresas juniores.

Mas se engana quem pensa que essa grande falha de comunicação interfere apenas no funcionamento da EJ. “A imagem profissional é responsabilidade de cada um construir e destruir também. Levamos tempo para construir uma imagem profissional de credibilidade e agindo de maneira negativa e sem controle emocional, esses membros acabam colocando tudo em risco”, ressalta Flavia.

Case de Sucesso: conheça as boas práticas de cogestão da UCJ

Rodrigo aponta que a cogestão na UCJ acontece pela fase de organograma e de transição. Saiba como funciona essa estratégia:

  • Cogestão do organograma: acontece na Presidência e na Diretoria de Projetos. Nesse modelo, a cogestão ocorre diretamente, pois uma pessoa mais experiente faz a gestão junto ao novo ingressante no cargo, ao mesmo tempo que executam processos e iniciativas, por exemplo.
  • Cogestão de transição: é feita nas demais diretorias e nos cargos de gerência. Ela tem o objetivo de transmitir informações sobre o cargo e principalmente disseminar conhecimento tácito acerca das funções e rotina. Assim, o período de cogestão/transição é curto e geralmente dura do final da gestão do gerente/diretor antigo até o início da nova gestão.        

“Um bom exemplo de transição é o que ocorre na célula de projetos: de 3 em 3 meses possuímos processo seletivo de projetos, no qual são selecionados os novos gerentes da célula. Após serem aprovados, os novos gerentes se tornam ‘sombras’ dos gerentes antigos para aprenderem melhor a rotina. Os tópicos que deverão ser ensinados aos novatos são informados pela diretoria, que cobra, ao final da transição, se todos os assuntos foram abordados”, ressalta Saliba.

Cogestão na empresa júnior 2Como estimular uma eficaz cogestão na empresa júnior

Se os membros ainda não enxergam a importância da cogestão, é preciso incentivar. Para esse estímulo constante, Flavia dá algumas dicas que valem tanto para empresas seniores quanto para as EJs:

  • A valorização dos membros e a tudo que já fizeram pela empresa deve ser sempre reforçada. Seria como reafirmar uma mensagem de “deixe sua marca”, “você faz parte dessa história”;
  • Mantenha sempre um programa de ações previamente definido junto a quem está saindo para que o conhecimento e as melhores práticas sejam repassadas;
  • Estruture um cronograma em que quem sai assume o compromisso de passar as informações para quem está chegando em tempo hábil;
  • Quem sai pode deixar sua impressão de pontos negativos e positivos sobre a empresa, através da ferramenta de entrevista de desligamento. Essa entrevista tem o objetivo de valorizar a voz da pessoa desligada, que deixa sugestões que irão agregar ao crescimento da empresa.
  • E outra possibilidade é que, após a finalização desse cronograma, a pessoa que estiver saindo possa deixar no mural da empresa suas últimas atividades a serem retomadas.

Esperamos que esse post tenha trazido vários insights para você melhorar o processo de cogestão na empresa júnior que você atua!

Tem alguma boa prática para compartilhar com a rede? Deixe seu depoimento nos comentários.

 

Thaiza Gribel

Assessora de Conteúdo

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